Brasil - bem-vindo a 1972


Lendo a reportagem do Observatório do Clima sobre a participação do Brasil na COP 23, em Bonn (Alemanha) - "Planos do Brasil de venda de petróleo alertam para a corrida global por combustíveis fósseis" - me veio quase que de imediato uma outra conferência mundial - a de Estocolmo, na Suécia, em 1972.

Naquela oportunidade, o governo brasileiro apresentou ao mundo sua disposição em atrair empresas e alavancar o desenvolvimento industrial do país, incrementando o processo iniciado pela indústria automobilística duas décadas antes.

O discurso brasileiro poderia ser traduzido (ou interpretado) como "venham investir no Brasil. Sejam empreendimentos poluentes ou não, estamos de portas abertas!!!".

Posição equivocada, míope, por não enxergar os propósitos do encontro mundial, além de ser carregada de irresponsabilidade.

Eis que, 45 anos depois, assistimos, atônitos, a nova investida do governo brasileiro no cenário mundial, acenando com benesses para os que quiserem explorar nossos recursos naturais e degradar o nosso já combalido ambiente natural.

Em termos de semelhança com o posicionamento de 1972, é possível identificar o sentido contrário em que o Brasil caminha em relação à maioria das nações. Àquela época, na primeira conferência mundial sobre meio ambiente, vários países buscavam estabelecer diretrizes, ações e programas que reduzissem os impactos gerados sobre o ambiente e seus efeitos negativos.

Daí surgiram o conceito de desenvolvimento sustentável e o reconhecimento da educação ambiental como instrumento impostante para a estruturação de um novo modelo de desenvolvimento.

Hoje, temos o Acordo de Paris, assinado no final de 2015, em que as nações se comprometem a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e a adotar medidas recuperativas e positivas em relação ao equilíbrio ambiental.

Na contramão, o Brasil hasteia uma enorme bandeira preta no plenário onde estão as representações das nações - bandeira embebida de petróleo.

A proposta do governo brasileiro é oferecer campo livre (benefícios fiscais) às gigantes do setor de petróleo para exploração das jazidas nacionais.

Um dos resultados imediatos é o desequilíbrio do mercado, pressionando a demanda e os preços praticados no cenário global.

Outro resultado previsível é o aumento considerável das emissões do país - que propôs metas ambiciosas de redução das emissões, comprometendo-se a controlar estas emissões e o desmatamento da principal floresta tropical do planeta.

Voltamos ao século passado, à miopia e à irresponsabilidade da época.


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