Sistema digestivo em colapso - nosso e o da Terra


"A humanidade já gerou 8,3 bilhões de toneladas de plásticos".

"A epidemia mundial de obesidade: relato de um fracasso".

Estes são títulos de matérias do El País que retrataram problemas da atualidade e que podem gerar (mais) problemas num futuro próximo.


Mas, o que há em comum entre obesidade e a geração de resíduos (plásticos)?


Muita coisa. Mas o elo principal são nossos padrões de produção e de consumo (que inclui a alimentação).


Em relação aos resíduos, vale destacar que o plástico, em si, não é um problema. Apesar de ser originado do petróleo (fonte finita) e sua produção gerar impactos em diversas etapas, o plástico é importantíssimo em áreas como a saúde, por exemplo.


Porém, na nossa vida cotidiana, poderia ser muito menos utilizado e ter substitutos à altura - ou até melhores. Uma mamadeira de vidro é MUITO melhor que uma de plástico. Sua vida útil é MUITO maior, a higienização é mais eficiente, e a reciclagem (transformação em novo produto de vidro) é completa (mais eficiente e mais barata).


E o que dizer das sacolas plásticas e dos canudos de refrigerante/suco? São produtos que utilizamos UMA vez e descartamos. Podemos viver sem eles, não é?


Como dito no início, o problema principal está em nosso padrão de consumo. Fomos levados a acreditar que os descartáveis são mais higiênicos e seguros para nossa saúde - usamos e 'jogamos fora'. Mas, como já vimos muitas postagens nas redes sociais, não existe o 'fora'. O que descartamos, vai pra algum lugar.


E um outro aspecto que merece atenção é a composição do plástico. Uma garrafa plástica demora centenas de anos para se decompor totalmente. E o que temos visto (e aprendido) é que, no processo de decomposição, essa garrafa plástica vai se desfazer em partículas microscópicas, sendo facilmente levada pela água e/ou pelos ventos. No mar, são absorvidas pelos animais, obstruindo seu sistema digestivo, levando-os à morte. Estudos recentes (baseados em amostras de água distribuída nas principais cidades do mundo) identificaram a presença de plásticos (micropartículas) nas torneiras de nossas casas - inclui-se, aí, a maior e mais rica cidade do Brasil - São Paulo.


Podemos traçar uma comparação - o ecossistema terrestre (a natureza) com nosso organismo.

Quando ingerimos um alimento (após mastigar bem!!!), nosso organismo vai agir (por meio de enzimas e outras substâncias) para digerir este alimento e processá-lo, de forma a que os nutrientes básicos sejam absorvidos, fortalecendo e dando energia para a continuidade do funcionamento de todo o sistema.


A Terra também tem seu "sistema digestivo" - e ele é perfeito!!! Na natureza, não há sobras nem desperdício - NÃO HÁ LIXO.


Porém, quando introduzimos "um mundo de lixo" produzido pela economia humana, a Terra tem dificuldade de processar, pois este lixo é composto por substâncias químicas e produtos que o planeta NUNCA viu antes.


O sistema natural foi desenvolvido e aperfeiçoado ao longo de milhões de anos. O processo evolutivo é lento e a "experimentação" é em pequena escala, justamente para que os erros possam ser eliminados a tempo e não ameace o funcionamento do sistema com problemas irreparáveis.


Inteligente e sábio, não?


Aproveitando o aprendizado, faço um convite: vamos rever nossos hábitos e comportamentos?


Não precisa mudar tudo do dia para a noite.


Mudemos aos poucos, como a natureza faz... sem indigestão.


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