o Saci

O Saci é a própria representação da cultura brasileira.

É conhecido e reconhecido em todo o país.

Apesar de sua fama de ser arteiro - aprontar com os humanos e fazer “diabruras” -, o Saci é, na verdade, um verdadeiro amante e protetor da natureza.

No Brasil, o Saci assume um papel diferenciado, dotado de "poderes mágicos", capaz de fazer “sumir” objetos, “bagunçar” coisas e ambientes.

Porém, apesar desta ser a característica mais reconhecida do Saci, seus poderes mágicos têm outras utilidades: proteger a natureza-mãe de seus agressores.

A escolha da figura do Saci para compor a sigla desta organização vem justamente da força de toda esta trajetória, desde suas origens – indígena, negra, popular – até a essência do mito - relacionada à proteção ambiental (dos ciclos naturais) e à desejada harmonia entre os humanos e o ambiente.

Trajetória que demonstra, ao mesmo tempo, a perseverança e a astúcia para atingir seus objetivos, sem perder a ternura e a espontaneidade típicas de nossa infância, com a criatividade e a responsabilidade no trato das questões mais sérias.

a Origem

A origem do Saci é diversa, tendo relatos desde a época do “descobrimento” e da colonização do país – como parte da cultura tupi-guarani – até a época da escravatura – quando “assumiu” a negritude dada pelas estórias. As características físicas e comportamentais do Saci explicam muito suas origens, dentre elas a que o liga ao curumim – menino índio.

Era considerado como “guardião da floresta” pelos Guaranis, pois ajudava a proteger as matas brasileiras e os índios que se perdiam. Segundo historiadores, o Saci era conhecido como Yaci-Yateré pelos povos indígenas da região sul da América do Sul (Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina). Ainda não era negro e seus poderes vinham de uma varinha mágica.

Na região amazônica, a origem do Saci está associada a uma ave, cujo canto é muito parecido com seu nome (sa-ci). Essa ave é conhecida por vários nomes: martim-cererê, peito-ferido, crispim, seco-fino, matintapereira. É possível já identificar a origem de seu nome “oficial”: Saci-Pererê – transformado ao longo do tempo, cuja variação já passou, em várias partes do país, por Saci-Cererê, Saci-Perê, Saci-Tapereré, Sererê, Saperê, Saci-Mofera, e até Matinta Pereira ou Matim-Taperê, como é chamado na região amazônica, pela associação com a ave citada.

A origem da figura mais conhecida do Saci evoluiu das estórias contadas pelos negros escravizados, que justificavam as “coisas erradas” que aconteciam nas fazendas pela presença da figura mitológica – situações que deixavam os brancos em polvorosa. Por esta razão, difundiu-se a ideia de que o saci era um “espírito” ruim, que só faz maldade, aprontando diabruras e bagunças - coisa do demônio. Essa “demonização” do Saci foi amplamente difundida pelos fazendeiros, que queriam coibir os movimentos  que pregavam a liberdade e a vida em harmonia com a natureza.

Da cultura negra veio a incorporação do cachimbo, já que os negros escravizados adoravam fumá-lo – incorporado à figura ilustrativa do Saci. Com relação ao gorro vermelho, há diversas argumentações, mas as principais relacionam com a cultura europeia, de movimentos sociais libertários, cujos integrantes utilizavam gorros vermelhos para se distinguirem. Da época do império romano vem a história dos escravos que conquistavam sua liberdade e recebiam um gorro vermelho como identificação de seu estado. E, por fim, em relação a ter somente uma perna, os historiadores dizem que o Saci, cuja origem era escrava, resolveu cortar uma de suas pernas para adquirir a liberdade – já que permanecia preso acorrentado por uma das pernas. Nas lendas, entretanto, ele já nasce com uma perna só.

Falando nisso, como “nasce” um Saci?

O Saci, por ser um espírito das florestas (ser, entidade), nasce integrado à natureza. Ele é “gerado” dentro de um taquaruçu – um tipo de bambu que atinge grande altura e possui gomos muito grossos e compridos. O Saci nasce de taquaruçus bem desenvolvidos, em noites de muita ventania, quando os bambus dão grandes estalos, curvam e se abrem. É quando vão saindo os sacizinhos – sete de cada gomo.

Um detalhe interessante é que o Saci já nasce de gorrinho e com o pito aceso. Quando morre, o Saci vira um tipo de cogumelo – daqueles que se “grudam na madeira, conhecidos como “orelha-de-pau”.

Saci

- quem é?

- qual é a origem de sua história?

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