Respire bem - e melhor!

May 30, 2018

 A recente manifestação dos caminhoneiros - que paralisaram suas atividades de transporte - gerou resultados bastante interessantes. Alguns, positivos, e outros, nem tanto.

 

Os negativos podem ser traduzidos pela histeria coletiva em busca de combustível, principalmente de "pessoas físicas" comuns. E, pior: busca frenética por combustível fóssil, que polui, degrada e causa doenças e mortes precoces.

 

Mas falamos de resultados interessantes, não é mesmo? Então, vamos a eles.

 

Os resultados positivos estão relacionados exatamente à paralisação de diversas atividades e da redução drástica da circulação de veículos: sem a oferta de combustível, os veículos deixaram de funcionar e entupir as ruas das principais cidades! E mais: os caminhões deixaram de circular, assim como os ônibus - justamente os tipos de veículos que mais poluem o ar, por utilizarem diesel em seus motores.

 

O Laboratório de Poluição Atmosférica da Faculdade de Medicina da USP - coordenado pelo brilhante Prof. Paulo Saldiva - tem feito análises dos dados de monitoramento da qualidade do ar na cidade de São Paulo há várias décadas, e tem observado e acompanhado os reflexos da piora ou melhora da qualidade do ar na saúde das pessoas.

 

Estas análises identificaram situações muito importantes:

  • o impacto positivo do transporte coletivo de alta capacidade (como o metrô) para a saúde humana é enorme. Em 2017, com a greve dos funcionários (condutores) e a consequente paralisação do metrô paulistano, houve elevação do uso de veículos particulares e redução da velocidade média dos ônibus, gerando aumento da emissão de poluentes. Resultado: aumento do número de atendimentos/internações e de mortes, decorrentes de doenças cardiorrespiratórias;

  • o impacto positivo da redução da circulação de veículos a diesel. Nestes dias de paralisação dos caminhoneiros, houve queda de cerca de 50% das emissões, constatada pela rede de monitoramento da qualidade do ar.

Este último dado demonstra claramente por qual caminho devem seguir as políticas públicas, ressaltado aqui:

  1. investir, incrementar e incentivar o uso de meios de transporte coletivo, por meio de metrô, trens de superfície, VLT/VLP, corredores de ônibus e outros modais;

  2. promover a substituição gradual dos veículos movidos a diesel por motores movidos a combustível de fontes renováveis e não poluentes (elétricos, hidrogênio, etc.);

  3. investir, incrementar e incentivar o uso de meios de transporte alternativo e não poluente, como bicicletas e veículos movidos por fontes renováveis (veículos elétricos);

  4. investir, incrementar e incentivar a melhoria do espaço urbano, ampliando as condições de  acessibilidade e de mobilidade, permitindo deslocamentos curtos a pé;

  5. investir, incrementar e incentivar a melhoria do espaço urbano, ampliando os índices de arborização urbana e de mecanismos de sequestro e captura de gases poluentes.

Quem diria que a mobilização dos caminhoneiros apontaria para soluções que a comunidade técnica, científica e acadêmica, e nós, ecochatos e biodesagradáveis, já defendemos e estimulamos há tempos.

 

Esperançosos que somos, reforçamos: um mundo melhor é possível!

 

Respire bem - e melhor!

 

 

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